Vale a pena ver de novo, Avenida Brasil: como explicar seu sucesso e por que nenhuma novela conseguiu repeti-lo

O último capítulo parou o país, se não literalmente, quase. Um fenômeno poucas vezes visto na história de nossa televisão.
avenidabrasil_5anos_divulgacao2

Sucesso de audiência e repercussão, “Avenida Brasil” (2012) foi a primeira novela coqueluche da Internet, vide os memes referenciando a trama, a “cascata” diária de “oioiois” no Twitter (aos primeiros acordes do tema de abertura), as charges no Facebook, os bordões “é culpa da Rita!”, “me serve vadia!”, “quero ver você me chamar de amendoim” e “hi hi hi”, os GIFs animados com as caretas de Carminha e suas frases de efeito, e os avatares “congelados” ao estilo das fotos dos personagens sobre o fundo com bolinhas coloridas, ao final de cada capítulo. Durante seus sete meses de exibição, a novela reuniu todas as noites, nas redes sociais, milhões de brasileiros ávidos em compartilhar opiniões em um mesmo sofá, virtual. O último capítulo parou o país, se não literalmente, quase. Um fenômeno poucas vezes visto na história de nossa televisão.

Independentemente da repercussão dentro ou fora da Internet, acredito que “Avenida Brasil” seja aquele caso raro de novela certa na hora certa. De quando o público encontra na ficção televisiva uma forma de extravasar a realidade de um momento político-sócio-econômico muito particular e favorável.

Em 2012 o país vivia o auge da ascensão da “nova classe C” (a que emergiu após o governo Lula), marcada por uma certa estabilidade econômica e um boom de consumo. A novela refletiu essa situação para retratar na tela um quadro pitoresco da realidade. Assim como em Asa Branca, o Brasil foi representado no fictício bairro do Divino, onde se passava a trama, com cores fortes, euforia e uma galeria de personagens carismáticos que arrebatou o público.

Por sua vez, a novel nunca teve a pretensão de fazer crítica social, a não ser refletir um momento do povo brasileiro através de uma batida trama de vingança, filão já fartamente explorado em nossa Teledramaturgia. Porém, os clichês do folhetim vieram em uma nova roupagem, em tom de novidade, camuflada na fotografia cinematográfica e no ritmo de série americana. Com uma história repleta de plot twists (*), cada capítulo terminava com um gancho contundente envolvendo algum personagem da trama central. Apesar da barriga saliente (**), dos furos do roteiro (lembra do pendrive da Nina?) e do “quem matou Max?” ao final, o saldo sempre foi positivo.

As novelas do horário das nove após “Avenida Brasil” foram vítimas de um outro momento do país: a crise política-sócio-econômica deflagrada em 2013 e que se arrasta até hoje. Não que a situação do Brasil seja o vilão. Mas ela serve como o contexto dentro do qual cada novela deve ser analisada separadamente, cada uma com suas qualidades e defeitos próprios. A seguir.

Concluo meu texto com uma frase que ficou famosa na internet e que resume bem esse momento: falta uma novela que reúna todas as tribos, como foi “Avenida Brasil”.

(*) plot twist: reviravolta na trama. (**) barriga: aquele momento na trama em que nada acontece.

Foto: divulgação/TV Globo

Fonte: Blog do Nilson Xavier

 

Notícias recomendadas para você!

NOSSOS APOIADORES

modelo banner